O presidente da Argentina, Javier Milei, voltou a fazer críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o chamou de “ladrão” e “corrupto” durante entrevista concedida à emissora argentina LN+, neste domingo (2). O mandatário argentino também questionou a anulação das condenações de Lula relacionadas à Operação Lava Jato.

“Ele é um ladrão, um corrupto. Não é inocente. Foi liberado por uma falha no processo jurídico”, declarou Milei.

O presidente argentino também rebateu as críticas do governo brasileiro sobre seu discurso durante a convenção do Partido Liberal (PL), realizada em São Paulo, onde participou da oficialização da candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República. Segundo Milei, suas declarações foram espontâneas e não tiveram motivação eleitoral.

Durante a entrevista, Milei afirmou que considera mais grave a prática de corrupção do que as críticas dirigidas a políticos acusados de irregularidades.

Apoio a Flávio Bolsonaro

As declarações ocorrem em meio ao aumento da tensão diplomática entre Brasil e Argentina, intensificada após a participação de Milei no evento do PL, em 25 de julho. Na ocasião, o presidente argentino declarou apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro e afirmou acreditar que o senador representa uma alternativa para promover mudanças no Brasil.

Milei também disse esperar que o país siga um caminho liberal após as eleições de outubro.

Reação na Argentina

As declarações repercutiram no país vizinho. A Federação Argentina de Municípios (FAM) divulgou uma nota em que pediu desculpas ao povo brasileiro e manifestou solidariedade ao presidente Lula.

No comunicado, a entidade classificou as falas de Milei como uma “falta de respeito” e afirmou que elas prejudicam a histórica relação de cooperação entre Brasil e Argentina. Segundo a federação, o discurso do presidente argentino causa constrangimento e compromete o relacionamento entre os dois países.