Brasil – O envolvimento do senador Flávio Bolsonaro com o banqueiro Daniel Vorcaro e os consequentes índices de rejeição registrados por ele nas pesquisas eleitorais passaram a preocupar integrantes da campanha à reeleição do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Nos bastidores, aliados avaliam que uma associação mais intensa entre os dois pode se tornar um fator de desgaste durante a corrida eleitoral.

Embora ocupe o papel de coordenador da campanha presidencial de Flávio em São Paulo, Tarcísio tem adotado uma postura discreta em relação à disputa pelo Palácio do Planalto. O apoio ao senador tem sido tratado como institucional, enquanto o foco do governador permanece voltado para sua própria tentativa de conquistar um novo mandato no comando do Estado.

Limite seguro

Pessoas próximas ao governador afirmam que ele pretende colaborar com a candidatura de Flávio Bolsonaro, mas dentro de um limite considerado seguro para evitar reflexos negativos sobre sua campanha estadual.

Até o momento, levantamentos eleitorais indicam que o desgaste enfrentado pelo senador nas últimas semanas ainda não afetou diretamente a popularidade de Tarcísio. Apesar disso, adversários já buscam explorar politicamente a proximidade entre os dois.

Haddad vai pra cima

O pré-candidato do PT ao governo paulista, Fernando Haddad, tem adotado a estratégia de associar a imagem de Tarcísio à de Flávio Bolsonaro, na tentativa de transferir parte da rejeição enfrentada pelo presidenciável ao governador.

A reportagem do Estadão procurou tanto a pré-campanha de Flávio Bolsonaro quanto o governo de Tarcísio de Freitas para comentar a estratégia eleitoral e os possíveis impactos da aliança, mas não houve manifestação até a publicação desta matéria.

Rejeição

A preocupação é reforçada pelos números da pesquisa Genial/Quaest divulgada em abril. Segundo o levantamento, 38% dos entrevistados afirmaram que não votariam em Tarcísio de Freitas de forma alguma. No caso de Flávio Bolsonaro, esse índice chega a 53%, evidenciando uma rejeição significativamente maior.

Nos bastidores, aliados do governador afirmam que a campanha de reeleição será construída prioritariamente sobre o balanço da atual gestão e a apresentação de propostas para um novo mandato. Ainda assim, reconhecem que a ligação política com Flávio Bolsonaro representa um desafio, especialmente diante de outro dado da pesquisa: 47% dos paulistas disseram preferir um governador que mantenha independência tanto em relação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva quanto ao ex-presidente Jair Bolsonaro.