
Brasil – Passadas mais de 4 horas desde que a Polícia Federal (PF) desencadeou a operação Make Up, que apura desvios de emendas parlamentares para financiamento de Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro (PL), nenhum membro do clã se pronunciou em defesa de Mário Frias (PL-SP), produtor-executivo da cinebiografia ao lado de Eduardo Bolsonaro (PL). O ex-ator de Malhação também virou alvo de antigos aliados nas redes sociais.
Parceiro de Frias na produção de Dark Horse, Eduardo Bolsonaro divulgou vários tuítes na manhã desta quinta-feira (10) atacando Lula e a decisão de Flávio Dino para reintegrar Andrei Rodrigues na Polícia Federal – ignorando que Edson Fachin assumiu o caso. Sobre o caso Dark Horse, segue calado.
Presidenciável do clã, Flávio Bolsonaro também não se manifestou nas redes. Já Carlos Bolsonaro (PL), candidato ao Senado por Santa Catarina, apenas compartilhou um tuite de seguidora dizendo que “não existe emenda para o Dark Horse”. No texto, a influenciadora diz que os recursos de Mário Frias não foram para a GoUp, que produziu o filme, mas ignora que Karina Gama, dono da produtora, recebeu os recursos públicos por meio de outras empresas.
Aliado do clã, Nikolas Ferreira (PL-MG), que recentemente cobrou de Flávio Bolsonaro e Mário Frias a apresentação das contas de Dark Horse, também segue calado sobre o assunto.
Críticas de aliados
Enquanto isso, Mário Frias vem recebendo críticas de aliados e ex-aliados do clã Bolsonaro. Xico Graziano fez uma das publicações mais duras contra o ex-secretário de Cultura de Jair Bolsonaro.
“Mário Frias é uma pessoa sórdida, inescrupulosa, vingativa, ferina, ligada, ao que se percebe, em esquemas poderosos de grana na política. Ligou-se ao pior bolsonarismo, aquele que agride e ataca a nós todos que tivemos a ousadia, a coragem e o dever, de apontar equívocos do governo de Jair Bolsonaro, a quem ajudamos a eleger em 2018, em uma atitude antipetista. É um caso típico daqueles: ‘se você quiser conhecer uma pessoa, dê-lhe o poder’”, escreveu Graziano.
O cineasta olavista Josias Teófilo celebrou a ação da PF, dizendo que “o negócio parece grave mesmo”, compartilhando tuite sobre a MakeUp.
Em seguida, fez dobradinha com Rodrigo Constantio, que afirmou que “o mínimo que esse cara devia ter feito, depois de tudo, é se manter afastado do Flavio para não ajudar o Lula”.
Mário Frias celebrou afastamento de Andrei da PF
Em vídeo publicado em seu perfil nas redes sociais na noite desta terça-feira (8), pouco mais de 24 horas antes de ser alvo da operação Make Up da Polícia Federal, o deputado Mário Frias (PL-SP) celebrou a decisão de André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), para tentar afastar Andrei Rodrigues do comando da corporação e de Leandro Almada da diretoria de Inteligência. Os dois retomaram os cargos após Edson Fachin, presidente da corte, anular a liminar de Mendonça e de Flávio Dino, que havia restituído ambos aos quadros da PF.
No vídeo, com fundo preto ao estilo Nikolas Ferreira, Frias comemora que “numa tacada, André Mendonça afastou do comando da Polícia Federal Andrei Rodrigues e o diretor de inteligência Leandro Almada” e tenta associar o diretor de inteligência da PF às suspeitas de envolvimento de Jair Bolsonaro (PL) no assassinato da vereadora Marielle Franco.
“Hoje, Leandro Almada é afastado da direção da inteligência da PF por decisão de André Mendonça, em meio a fortes suspeitas sobre a produção ilegal de relatórios de inteligência, com muita criatividade, né?”, ironizou.
Mário Frias ainda termina o texto dizendo que “o tempo tem uma virtude que os fabricantes de narrativas detestam: ele refuta a mentira”.
Mário Frias e Karina Gama na mira da PF
Em nota em que anuncia a operação Make Up, que investiga o financiamento do filme Dark Horse e mira o deputado federal Mário Frias e a produtora Karina Gama, a Polícia Federal aponta “a existência de uma organização criminosa, formada por agentes públicos e privados, suspeita de direcionar os valores recebidos para empresas subcontratadas de forma irregular, sem comprovação da efetiva prestação dos serviços contratados”.
“As tentativas de dissimular os desvios teriam se estendidos até julho deste ano”, segue a PF, que investiga o desvio de emendas parlamentares para financiamento da cinebiografia de Jair Bolsonaro.
A operação tem como objetivo “apurar suposto desvio de recursos públicos oriundos de emendas parlamentares repassadas, por meio de termo de fomento, a organização da sociedade civil”. Estão sendo cumpridos 49 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal, nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e no Distrito Federal.
Segundo a PF, “levantamentos financeiros identificaram, ainda, movimentação da ordem de centenas de milhões de reais entre as empresas que integram o esquema investigado”.
Estão sendo investigados os crimes de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes licitatórios.









