Após repercussão negativa da aprovação do Projeto de Lei 187/21, que concede ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) o título de Cidadão do Amazonas, seis deputados estaduais alegaram suposto erro no sistema de votação da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam). Dos 24 parlamentares presentes na sessão,19 votaram a favor e apenas um foi contrário. Houve, além disso, uma abstenção e três ausências.

Com a atualização, os deputados estaduais Abdala Fraxe (Podemos), Álvaro Campêlo (PP), Cabo Maciel (PL), Mayara Pinheiro (PP), Fausto Júnior (MDB) e Nejmi Aziz (PSD), anteriormente favoráveis ao título, saíram da lista. Assim, caem de 19 para 13 os apoiadores do título de reconhecimento a Bolsonaro.

Justificativas

Com voto anteriormente computado como favorável, o deputado Álvaro Campelo enfatizou sua ausência no momento da votação em plenário. “O que houve é que inseriram meu voto como sim, mas eu tinha me ausentado por conta de uma reunião com vereadores de Manaus. Quando retornei, fiz o questionamento ao presidente (sobre o erro)”, destacou Campelo.

Além disso, ainda de acordo com o parlamentar, o momento atual não condiz com a necessidade do caráter de urgência do PL em questão. “Penso que as homenagens deveriam ser suspensas. Ainda vivemos uma pandemia, com a possibilidade de uma terceira onda de Covid-19. Neste momento, temos pautas mais relevantes para serem votadas na Casa. Não havia necessidade de uma votação com regime de urgência”, completou.

A situação desperta, portanto, o alerta para a falta de atenção às pautas por parte dos parlamentares durante votação no plenário da Assembleia.

Outra parlamentar que também esteve presente na sessão por meio virtual, foi a a deputada Mayara Pinheiro, que por outro lado, declarou sua ausência no plenário em decorrência da fase final da gravidez. “Estive ausente, de forma momentânea, e por isso não votei no projeto que concede o título de cidadão amazonense ao presidente Jair Messias Bolsonaro”, ressaltou Pinheiro.

Posições contrárias

Para Serafim Corrêa, representante do único voto contrário, a concessão do título é questionável, tendo em vista, principalmente, a crise de oxigênio e colapso de saúde no Amazonas. “O presidente Bolsonaro não tem sido amigo da Amazônia, do Amazonas ou de Manaus. Ele subestimou a pandemia, não comprou vacinas, seu ministro (de Saúde) foi negligente à crise do oxigênio e isso tem trazido sofrimentos ao nosso povo”, argumentou o deputado.

Corrêa destacou em seguida a desconsideração do Ministério da Economia perante a Zona Franca de Manaus. “A Zona Franca vive sendo atacada e o Ministro Paulo Guedes faz cara de paisagem! Não posso, portanto, votar a favor deste projeto, e meus motivos são suficientemente conhecidos pelos senhores”, completou.

O deputado estadual Dermilson Chagas (Podemos), por outro lado, se absteve do voto. Em consonância ao discurso de Serafim, o parlamentar relembrou a falta de preocupação de Bolsonaro com a região amazônica.

“Esperávamos um olhar diferenciado para o Amazonas, já que nossa única fonte de renda de nosso povo é o Distrito Industrial. Mas o comportamento do presidente dói a nós amazonenses. O comportamento do presidente é contra a Zona Franca de Manaus”, ressaltou Chagas.

Ainda de acordo com o parlamentar, a falta de política de desenvolvimento e crescimento ao Amazonas, por parte do governo federal, não convergem com o reconhecimento do presidente pelo estado.

“Cada palavra dele causa arrepios na classe empresarial. O que depositamos, em sua vinda à Manaus, é uma esperança de que não venha aqui fazer campanha. Agora é o momento de vacina, geração de emprego e melhorar a saúde. Eleições, apenas em 2022”, finalizou.

O projeto

De autoria do deputado Delegado Péricles (PSL), o PL foi votado em caráter de urgência. Em sua justificativa, o parlamentar alegou que a compra de vacinas e transferência de recursos para estados e municípios está entre os motivos da concessão do título.

“Os repasses que o Governo Federal tem feito aos municípios e capital são inquestionáveis. Podem ser afirmados por qualquer prefeito ou pelo próprio governador. Outras iniciativas, como a concessão de aeroportos e a implementação que vai desde escolas cívico militares até o Centro de Inteligência de Segurança Pública, e, ainda, a tomada de frente para a organização e coordenação diante do caos de gestão que vivemos no início do ano, somam-se ao trabalho realizado sob a gestão do presidente Jair Bolsonaro que merecem ser reforçadas”, afirmou.

Ao lado de Chagas e da maioria dos colegas, a deputada Therezinha Ruiz (PSDB), destacou que a concessão trata apenas de demonstração de respeito à autoridade máxima do país.

“Um título de cidadão é concedido para agradar ou agradecer alguém. Precisamos que o governo federal volte seu olhar cada vez mais ao governo do Amazonas, pois o estado contribui muito com a arrecadação de impostos. Acredito que o caráter de urgência se deu por conta da vinda do presidente a Manaus, mas não creio que isso desqualifique o título”, afirmou a deputada.

A entrega do título será realizada em reunião especial da Aleam a deve ser confirmada brevemente pela Mesa Diretora, tendo em vista a visita de Bolsonaro a Manaus nesta próxima sexta-feira (23), para inauguração da área de expansão do Centro Cultural Vasco Vasques.

Fonte: Em tempo