Dois casos distintos envolvendo investigados por crimes sexuais ganharam repercussão no Amazonas e em São Paulo e chamam atenção por um ponto em comum: denúncias de intimidação e violência psicológica mesmo durante o andamento das investigações e após medidas judiciais.

No Amazonas, a Justiça decidiu levar a júri popular o empresário Alex Mendes Braga, denunciado pelo Ministério Público do Estado (MP-AM) por estupro, aborto sem consentimento da gestante e violência psicológica. O caso, que segue sob segredo de justiça, teve a pronúncia assinada pelo juiz Mauro Moraes Antony, que entendeu haver indícios suficientes para julgamento pelo Tribunal do Júri.

Segundo a acusação do MP-AM, a vítima teria sido constrangida a manter relação sexual sob ameaça enquanto trabalhava na residência do empresário. Ainda de acordo com o Ministério Público, ela engravidou e teria sido coagida a ingerir medicamento abortivo sem consentimento, além de sofrer pressão psicológica para encobrir o caso. O processo também cita supostas ofertas de dinheiro para silenciamento e tentativa de interferência na denúncia.

Já em São Paulo, o lutador de jiu-jítsu Melquisedeque de Lima Galvão Ferreira, conhecido como Melqui Galvão, investigado por suspeita de abuso sexual contra alunas durante treinos, é alvo de denúncias de que teria realizado videochamadas de dentro da prisão para intimidar testemunhas do caso.

A denúncia foi apresentada pela deputada estadual Alessandra Campêlo e encaminhada ao Ministério Público de São Paulo. Segundo a parlamentar, haveria indícios de facilitação do uso de celular dentro da unidade prisional, o que teria permitido o contato indevido do investigado com o exterior.

Melqui Galvão, que também é policial civil, foi transferido do Amazonas para São Paulo e permanece preso enquanto as investigações avançam. Ele já havia sido detido em Manaus após denúncia de uma atleta de 17 anos, e outras possíveis vítimas surgiram no decorrer do caso.

Nos dois episódios, autoridades apontam a necessidade de apuração rigorosa sobre possíveis tentativas de coação, seja durante a fase de investigação ou mesmo sob custódia, com relatos que incluem pressão psicológica, ameaças e tentativas de silenciamento de testemunhas.