Amazonas – O Amazonas deve enfrentar um cenário de maior pressão climática nos próximos meses com o avanço do El Niño 2026/2027. A previsão dos órgãos federais aponta para chuvas abaixo da média, temperaturas elevadas, prolongamento da estação seca e aumento do risco de incêndios florestais na Região Norte.

De acordo com o quarto boletim do Painel El Niño, elaborado por INMET, INPE, CEMADEN, ANA, SGB, CENSIPAM e Defesa Civil, existe 95% de probabilidade de o fenômeno atingir intensidade muito forte entre outubro e dezembro de 2026. O evento deve permanecer pelo menos até o primeiro trimestre de 2027.

Para a Amazônia Legal, a previsão é de um período mais seco e quente. O boletim de agosto já indicava possibilidade de chuvas abaixo da média no Amazonas, Roraima, Amapá, Pará, Acre e norte de Mato Grosso, acompanhadas de temperaturas acima do normal. A combinação favorece a redução da disponibilidade de água e eleva o risco de incêndios.

O cenário preocupa especialmente o Amazonas devido aos impactos que a estiagem pode provocar nos rios, transporte, abastecimento e comunidades do interior. O Ministério Público de Contas do Amazonas (MPC-AM) chegou a recomendar aos municípios que antecipassem medidas de prevenção e resposta para estiagem, calor extremo, incêndios e fumaça.

O próprio governo federal aponta que a combinação de temperaturas elevadas e menor volume de chuva pode prolongar a estação seca e aumentar a ocorrência de queimadas na Amazônia. O risco tende a ser maior quando a vegetação perde umidade e as chuvas demoram a se estabelecer.

Além dos incêndios, a estiagem pode pressionar os níveis dos rios e dificultar a logística de comunidades que dependem do transporte fluvial. O impacto, porém, não será necessariamente igual em todo o Estado, já que as projeções são tendências sazonais e podem mudar conforme a evolução das condições meteorológicas.

O El Niño foi confirmado em junho de 2026 e ocorre com o aquecimento anormal das águas do Pacífico Equatorial, alterando padrões de circulação atmosférica e de distribuição das chuvas. No fim de setembro, as anomalias de temperatura do oceano já haviam superado 2°C em áreas do Pacífico central e leste.

O alerta ganha força porque o número de municípios brasileiros classificados em seca extrema passou de quatro para 24 em apenas um mês, segundo dados parciais de setembro do CEMADEN. O Amazonas está entre os estados que apresentaram aumento relevante no quadro de seca..